quarta-feira, 6 de abril de 2011

Alarmantes ou alarmistas?

Eduardo Guimarães

O terremoto no Japão mexeu com a mídia nacional e internacional. É fato que as pessoas do mundo inteiro se interessavam em saber a real situação asiática. Mas será que essa necessidade imagética surgia por curiosidade ou pelo excesso delas na imprensa? Os brasileiros sentem muito mais a notícias que os japoneses, mas isso é cultura, lá as formas de lidar com um problema são diferentes.

A mídia brasileira cresceu em audiência durante a explosão, com o perdão da palavra, do desastre no Japão. De acordo com a colunista Keila Jimenez, o Jornal Nacional teve um aumento de 4 pontos de audiência, o Jornal da Record aumentou 2 e o Jornal da Band um ganho de 1,5 pontos de audiência. A imprensa nacional usa imagens chocantes, que correram o mundo. Uma tecnologia japonesa de gravação de vídeos e fotos que hoje serve apenas para o registro de uma tragédia. O terremoto e o tsunami perderam espaço para outro desastre, os perigos da energia nuclear.

Mas o enfoque da mídia está no caminho certo? Não estamos falando apenas de um país que teve reatores de uma usina nuclear expostos à radioatividade descontrolada, hoje falamos de elementos radioativos que acidentalmente foram lançados ao mar, podem chegar à qualquer lugar do mundo e a única preocupação é com os 20 funcionários que trabalham na usina?

Estamos falando da terceira maior economia mundial, que corre o risco de ficar sem alimento por causa da radiação. A mídia esqueceu que mais de 127 milhões de pessoas podem, literalmente, morrer de fome?! Em outra vertente, a terceira maior economia mundial está em crise, e como essa paralisação no setor industrial japonês influencia o restante do mundo? O dinheiro que circula por estes países podem criar uma Teoria do Caos na Economia Mundial? Não seria nada distante, pensar em uma possível quebra em determinadas bolsas de valores.

Claro que o espetáculo da natureza destruidora é algo que não pode passar desapercebido, mas o foco precisa ser outro. Quais as conseqüências à longo e médio prazo destes desastres? Como o Brasil poderá lidar com uma possível crise econômica mundial? O Japão pode ser suprido por outras formas de energias? Algumas perguntas são ignoradas pela maior parte da imprensa.

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